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Cinema

Dia D implaca debate filosófico e religioso em roteiro simplório de ETs

Por Deyse Carvalho
dia d crítica

Assim como a crítica não conseguiu decidir o veredito de Babilônia em 2023, eu não sei dizer se gostei ou não de Dia D. O novo filme de Steven Spielberg chega nesta semana aos cinemas do mundo todo. Estrelado por Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth e Colman Domingo, o lançamento briga consigo mesmo ao trazer, em uma trama tão simplória, debates tão relevantes.

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Dia D parte da pergunta que todo mundo já se fez um dia: e se nós não estivermos sozinhos no universo? Disso, a missão principal dos protagonistas é revelar ao mundo que na verdade fizemos contato sim com seres de outros mundos e, claro, eles encontram muitos desafios até atingir o objetivo.

Como podem ver, a premissa é simples e todos os nomes atrelados parecem um desperdício se levarmos em consideração apenas isso. Mas, para justificar o elenco, o roteiro explora mais que a vida fora da Terra e volta o seu foco para os humanos.

O primeiro impasse enfrentado pelo protagonista, antes mesmos de o público entender a totalidade dos acontecimentos, se dá sobre a responsabilidade do detentor da verdade. Desde a personagem de Emily Blunt ser uma jornalista até o seu parceiro de aventura ser um hacker reformado, todas as ferramentas apontam para uma narrativa antissistema. Como contraponto, a Jane (Eve Hewson), uma noviça rebelde, questiona se isso de fato é necessário, se revelar essa verdade não vai fazer mais mal do que bem.

Esse tom religioso, que começa na noviça e termina nos protagonistas virando a segunda vinda de Cristo, segue durante todo filme. Até a mensagem cristã de que devemos amar o próximo como a nós mesmos se torna a força vital da produção. Inclusive, tem até uma conversão para a doutrina no terceiro ato com a noviça rebelde tomada pela empatia (herança dos ETs).

Dito isto, o filme é um feito técnico. Os atores estão fazendo performances exemplares, o roteiro é intrigante e os efeitos especiais, em pleno 2026, são até convincentes. Meu destaque é o Josh O’Connor que, sempre que faz um sotaque americano, se torna ainda melhor. Emily Blunt também mostra porque é uma das favoritas de sua geração. Já Colman Domingo foi injustiçado a ter que interpretar o “negro mágico” desta vez.

Mesmo assim eu não consigo ultrapassar a simplicidade de tudo. Não me comove um filme tentar ser tudo que é quando o personagem central parece um emoji de Android. Apesar de ser o Spielberg e esse serem os ETs dele, os aliens serem gêmeos de uma fantasia de Halloween e toda fundação narrativa ser tão básica, me impede de mergulhar para além das águas rasas.

Foto: Reprodução/Universal Filmes

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