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Cinema

Só Por Uma Noite transforma uma situação absurda em 90 minutos de romance

Por Deyse Carvalho
Foto: Divulgação/Universal Pictures

Nesta quinta, 20 de agosto, um dos filmes mais curiosos do gênero chega aos cinemas. Só Por Uma Noite, estrelado por Callum Turner e Monica Barbaro, promete ser uma comédia romântica sobre sexo mas acaba sendo uma soft propaganda para o conservadorismo.

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O panorama para a história é absurdo: há três anos, é proibido sexo fora do casamento nos Estados Unidos. Para “amenizar” a situação, o governo permite 12 horas de sacanagem sem consequências. Em consequência disso, no período, o país inteiro vira uma grande orgia, sem regras e sem limites para chegar aos finalmentes.

O que eu esperava era que o filme acabasse numa grande guerra civil em favor dos direitos individuais dos cidadãos. Ao contrário disso, os protagonistas são dois puritanos que, apesar de ter o desejo de transar, decidem ir contracorrente e encontrar o amor verdadeiro.

Em qualquer outro cenário, a história dos dois protagonistas seria ótima. A química entre Callum e Monica é tangível, capaz de deixar até a Dua Lipa preocupada. Mas quando é escolhido esse tipo de background para esse tipo de filme, fica difícil defender. A personalidade dos dois seria perfeita para uma produção da Nora Ephrom.

E é fascinante pensar que se o diretor quisesse, ele poderia fazer dois filmes diferentes. O primeiro, uma distopia inovadora, com um tom parecido com The Handmaid’s Tail. O roteirista se dedicou a criar um mecanismos ideais para as condições desse novo mundo e cada vez que uma era revelada, mais perguntas surgiam. Outro ponto a ser explorado nesse filme hipotético poderia ser como se deu a aprovação dessas novas leis no congresso, já que pouco é falado no filme.

O outro, seguindo a história de Allie e Owen, tem tudo para ser um clássico da sessão da tarde. Afinal, quem não quer ver um pizzaiolo e uma cantora de jingles se apaixonando. Talvez a proibição do sexo aqui poderia ser por conta de um voto de castidade, e assim fazer de fato uma crítica ao conservadorismo.

O que mais me incomoda nesse filme, é que ninguém se revolta, ninguém de fato tem um plano para acabar com essa ditadura do puritanismo. Tirando um ou outro artista, não tem um personagem com uma postura séria a respeito do decreto. E pior, quem se revela contra esse conservadorismo impositivo, é depois taxado de promíscuo, vazio e inconsequente.

Para piorar (spoilers), depois de uma saga hercúlea para ficarem juntos, os dois decidem esperar mais um ano para ir para cama! E neste um ano, o decreto ainda está em vigor, ou seja, ninguém se mexeu para se desvencilhar desse governo fascista.

Apesar de tudo, esse filme engana. Se for assistir e gostar de comédias românticas, é bem provável que você saia da sala de cinema amando o filme. Duas horas depois, também é bem provável que você pare para pensar um pouquinho.

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