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Cinema

A imponente saga de A Odisseia é uma jornada intrínseca sobre a natureza humana

Por Deyse Carvalho
Foto: Reprodução/Universal

Ontem me surpreendi ao gostar tão intensamente de um filme do Christopher Nolan. A Odisseia, que estreia nesta quinta-feira, 16 de julho, é o melhor trabalho de muitos dos envolvidos. Apesar de se manter monotemático, o diretor entrega um épico que mescla uma sutiliza das consequências com monstros homéricos.

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É fato que Nolan entrou no trem das guerras e nunca mais saiu. E assim como em Oppenheimer, ao invés da jornada do herói, em A Odisseia, o diretor escolhe explorar o que a ideia que traz a vitória reverbera tanto no indivíduo quanto na sociedade. No lugar de colocar o protagonista como o homem do momento, Odisseu é lembrado em toda “aventura” o quanto ele é falho e, mesmo com a vitória, as suas escolhas resultaram na morte de milhares.

Quando vi os anúncios do filme, me perguntei qual o motivo de colocar Matt Damon – que tem um rosto que claramente já viu um iPhone – em mais um filme de época. Mas assistindo entendi que a trama, apesar de ser sobre a antiguidade, é muito mais sobre a natureza do ser e as consequências de uma escolha. Sendo assim, qualquer cara do século XXI serviria, mas não há ninguém que interprete um homem querendo voltar para casa como Matt Damon.

O fio que tece a narrativa começa com o que foi deixado em razão da guerra e termina com a esperança de reconstrução, diferente da obra original que encerra com mais tragédia. Dessa forma, personagens como o de Anne Hathaway (Penelópe) e Tom Holland (Telêmaco) aparecem como força motor da história. Todo elenco dá o melhor de si, mas sem o talento desses dois o resultado não teria o mesmo impacto.

Cada sequência transparece algo que lutamos para esconder. O ressentimento em Penélope, o medo em Circe e a ganância nos homens de Ítaca são membros vitais da narrativa. Para mim foi surpreendente ver uma história tão fantástica ser retratada com tanta naturalidade. Mesmo com ciclopes, feiticeiras e deuses, o coração de A Odisseia são as pessoas.

Foto: Reprodução/Universal

O roteiro toma algumas liberdades em relação ao material original mas isso prejudica o resultado final, na verdade faz o contrário. A motivação de Odisseu em machucar o ciclope ser vingança é muito mais alinhada com o té Mas sinto dizer que não ver Matt Damon vestido de noiva me deixou um pouco triste no cinema.

Uma outra ressalva que tive foi a respeito do sotaque americano usado pelos personagens, não porque é uma problema Telêmaco falar “dad” ao invés de “father”, mas sim porque falta liricidade na forma de falar americana. Mas talvez, a simplicidade desse discurso aproxime o público com as discussões internas do protagonista. Ou, de forma mais provocativa, o diretor quis escancarar que quem ainda provoca mais guerras guiadas por ganância no ocidente seja os americanos.

De todo jeito, o filme merece todo o hype e suas futuras indicações.

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