Confeitaria Holandesa e o sabor de uma Curitiba que atravessa gerações
Em 1958, quando Curitiba ainda tinha poucas confeitarias, uma nova casa abriu as portas na esquina das ruas Doutor Pedrosa e Brigadeiro Franco, no Centro. A Confeitaria Holandesa nasceu pelas mãos de uma funcionária da Leiteria Schaffer e de seu marido, um confeiteiro vindo da Holanda que estava entre os poucos profissionais da cidade com diploma na área. Mais de seis décadas depois, o endereço da Rua Doutor Pedrosa, 366 continua sendo ocupado pela confeitaria, que se tornou uma das referências da tradição doceira curitibana.
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No início, a Holandesa começou a produzir bolos com baba de moça e fios de ovos, tortinhas de creme e empadões. O negócio cresceu e chegou a ter outros endereços na cidade, incluindo um casarão na Sete de Setembro e uma unidade na Carlos de Carvalho, no Batel. Hoje, a loja do Centro é a única unidade aberta ao público, enquanto a cozinha industrial funciona no Rebouças.
Entre tantos produtos que passaram pela vitrine ao longo dos anos, um deles permanece desde o primeiro dia. O bolo Marta Rocha está no cardápio da Holandesa desde a inauguração, em 1958, e se tornou o produto mais simbólico da casa. A receita reúne pão de ló branco e de chocolate, creme de nozes, baba de moça, nata batida e suspiros e, segundo a própria confeitaria, continua inalterada desde os primeiros anos.
A longevidade do bolo também pode ser medida nos números. O Bom Gourmet revelou que o Marta Rocha representa 50% do faturamento da venda de bolos da confeitaria. Assim, o produto acabou se tornando uma espécie de ligação entre diferentes gerações de clientes, mantendo na vitrine uma receita criada quando a cidade ainda tinha outro ritmo.
Mas a história da Holandesa não se resume aos bolos. O catálogo atual reúne mais de 300 produtos, entre doces, tortas, salgados, empadões e quiches. Entre eles está o chineque, versão paranaense do pão doce feita com massa semi-folhada, creme de baunilha, coco, maçã, passas e cobertura de glacê. Nos salgados, a coxinha de frango com catupiry já foi premiada e se tornou outro destaque da casa.
A produção também guarda uma característica que acompanha a confeitaria desde sua história familiar. Grande parte dos produtos é feita de maneira artesanal, e os irmãos Persio e Karin Procop participam diretamente da produção. A família Procop assumiu o negócio depois que os fundadores venderam a confeitaria, e hoje os irmãos administram a empresa ao lado da mãe, Sueli.
A relação com a cidade, portanto, não está apenas no tempo de funcionamento. A Confeitaria Holandesa se tornou parte de momentos que costumam acompanhar a vida dos clientes, especialmente por meio de encomendas de bolos, doces e salgados para aniversários, festas e outras celebrações. A própria confeitaria destaca essa ligação com a memória afetiva de famílias e gerações de curitibanos.
Hoje, a Holandesa segue no mesmo endereço onde começou, na Rua Doutor Pedrosa, mantendo no balcão receitas que atravessaram diferentes momentos de Curitiba. Entre elas, o Marta Rocha continua sendo a lembrança mais evidente de uma história iniciada em 1958. Em uma cidade onde o comércio e os hábitos mudaram inúmeras vezes, algumas memórias ainda podem ser encontradas exatamente onde sempre estiveram, à espera de uma fatia de bolo.