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Cinema

Coyote vs Acme pode ser a animação mais interessante do ano

Por Deyse Carvalho
Foto: Reprodução

Quem diria que o capitalismo tarde e a desumanização do consumidor seria pauta de um filme infantil? O filme que a Warner queria esconder a todo custo prova em menos de duas horas que isso é possível.  Coyote vs Acme chega nesta quinta-feira, 27 de agosto, nos cinemas e promete emocionar até quem não queria ter ido.

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No longa, o velho e amado Coyote percebe, depois de mais uma tentativa frustrada de pegar o Papa-Léguas, que o denominador comum de todos os seus fracassos tinha nome: ACME. Coincidentemente ele encontra um advogado disposto a ir ao tribunal, lutar pelos seus direitos e enfrentar a grande corporação.

De cara, a mistura entre animação e live action me incomoda um pouco. A tentativa de criar uma perspectiva coloca os personagens num limbo entre o 2D e o 3D que mais atrapalha do que ajuda. Ela não é tão camp quanto o primeiro Space Jam, por exemplo.

Passando pela minha única ressalva, vamos falar de coisa boa. Meu favorito, em todos os filmes que ele tiver, é o John Cena. Nele, o ar vilanesco caiu como uma luva. O roteiro combina com os maneirismos do ator e, apesar de ele ser o antagonista, não tem como não ficar ansiosa para sua próxima cena.

Os outros personagens são uma graça também. Lana Condor traz uma ingenuidade bem colocada num filme sobre crianças, que por ora te despista dos assuntos mais sérios do filme – o que é bom. Os personagens animados provam o porquê seguem marcando gerações. Patolino, Gaguinho, Pernalonga entre tantos outros são um mimo para o espectador. Tanto que na sessão cheia de marmanjos que participei, não tinha um que não comemorasse ou risse das anedotas dos desenhos.

O que me impressionou na produção foi a delicadeza em falar de cada assunto. Em um momento o descaso das grandes corporações com o consumidor final e a eventual falta de punição para tais era o foco, em outro a beleza de tentar e ir atrás dos seus sonhos mesmo que impossíveis tomava o protagonismo. E é impossível não se emocionar com o desenrolar do longa no último ato.

No fim, faz todo sentido as tentativas da Warner de esconder esse filme a todo custo. Ele é uma provocação disfarçada de Piu-Piu e uma série de onomatopéias.

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